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C r ô n i c a sO CARNAVAL DE 2009 |
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| Há semanas, as camisetas boladas pelo Ruy Borges, programador visual, já estavam prontas e à venda na Carminha. Brancas, sem mangas, leves e arejadas. Na frente exibiam em letras vermelhas BANDA CARMINHA KUNSENTRA + NÃO SAI e nas costas, também em letras vermelhas, Carnaval 2009 ILHA DE PAQUETÁ Enfim chegara o Carnaval! E o bar da Carminha abrigava todos os seus freqüentadores habituais. Ou quase todos. Quem falta? Deixa p’rá lá, se a batucada já ia quente e a cerveja abundava. E gelada como em nenhum outro lugar da Ilha! Só na Carminha! Na Sapucaí, as primeiras Escolas a desfilarem no domingo já se concentravam. Na Carminha, a Skol era a mais pedida, mas o Comandante - já haviam notado - pediu “Carminha. Uma Itaipava”. Gozado, ele argumentou com os amigos “Além de mais gostosa com água de Petrópolis, é mais barata”. E acrescentou “Eu estou para a Itaipava, assim como o Zeca está para a Bhrama.” A bandeira do bloco – sim até bandeira fora feita - já estava pronta nas mãos de Rosangela, a Rose do Ferrugem. “Quem a levará? Quem será a nossa Porta Bandeira?” “Ora quem, senão a Elaine ‘Saborosa’, mulata sem formas protuberantes mas com uma bundinha arrebitada capaz de animar qualquer bateria! Não havia quem discordasse. Que o digam os presentes e até o Comandante, aprendiz de ganzá, intrometido na bateria. “Mais rápido, Comandante, acompanhe a batida do tantã.” Rose e Arlinda “Chocolate” já embelezavam a toda orgulhosa mas sem jeito Porta Bandeira com uma tiara quando perguntaram, ao som da bateria “E o Mestre Sala?”. Foi quando de sua mesa saltou um corpo esguio e ágil e sem uma palavra, segurou a mão de Elaine e disse, “Vem comigo”. E Mestre Aldo deu o seu show de samba. Que par! Que dupla! Aqui, em pouco espaço, samba e muita alegria. Lá, na grandiosidade, muito trabalho, suor, cor e luzes. Na Sapucaí empurrariam carros alegóricos, gigantescos; aqui se puxavam os sambas, recentes ou mais antigos, os mais preferidos pelos amantes da boa harmonia, do bom ritmo e da marcante melodia. “Tudo muito bem dividido” como recomendaria o Mestre Eloy. Lá, a realidade. Aqui o sonho! Onde o mais justo? As Escolas de Samba não são mais de samba, mas de alegorias, de shows visuais, humanos e tecnológicos, de nus e de luzes, de falsas baianas e de gostosas musas de baterias. O samba deixou os pés e subiu às cabeças de empresários; deixou de ser carioca, brasileiro para ser internacional, turístico. Que show! “Lembra-se do samba dessa Escola que passou?” “Nem sei mais!” |
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Autor: Ney Dantas |
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