PÁSSAROS da ILHA de PAQUETÁ
Crônicas
Uma crônica de Ney Dantas
Comecei a freqüentar a
Ilha de Paquetá há quase meio século
e há décadas tornei-me proprietário.
Antes eu era visitante efêmero, hoje sou seu permanente morador
em todos os fins de semanas, em feriados prolongados,
durante as férias de início de ano acompanhado de filhos e netos.
Antes eu olhava, hoje eu observo.
Em minha infância em Resende assisti meu pai cuidando
de suas mais de uma dezena de gaiolas ocupadas por larga variedade de pássaros canoros.
Conheci
arapongas,
avinhados,
coleiros,
sanhaços,
sabiás,
pintassilgos,
canários belgas e da terra,
melros,
tiés,
saíras e
bicos-de-lacre.
Livres, conheci os silvestres
beija-flores ou
colibris,
pardais,
viuvinhas e
rolinhas.
Estamos em março de 2011.
Cansei-me de ouvir severas críticas e tristes comentários
relativos ao desaparecimento desses vistosos pássaros em
Paquetá.
“Esta
Ilha não é mais a mesma. Desapareceram os colibris.”
“Não se vêem mais canários.”
“Sumiram os sabiás, sanhaços e melros.”
“Infestaram a Ilha com micos que devoram os ninhos de
passarinhos.”
Felizmente disponho de uma varanda a guisa de ‘passadiço’
que me propicia belos panoramas com muito mar,
céu até o outro lado da baía e, à curta distância,
canteiros com arbustos floridos e uma fértil goiabeira que agora em março está carregadíssima.
Chamou-me a atenção a quantidade de pássaros que a freqüentam.

Sanhaço observador
Em outra circunstância, uma rolinha ousada
fez um ninho na ramada de uma videira no quintal de casa.
Abrigo dos humanos contra o sol, esconderijo para elas, as rolinhas.
Como são descuidadas e não caprichosas ou displicentes na construção de seus ninhos!

Rolinha escondida em seu ninho na parreira
Tão diferentes dos
joões-de-barro que da goiabeira vigiavam
com seu canto estridente a construção de seu ninho
a dezenas de metros em uma casuarina na
Praça dos Atobás.
Os pardais, os bem-te-vis e as viuvinhas esvoaçando em suas embicadas
na piscina não merecem outros comentários além da prova de suas abundantes
existências em Paquetá. Basta olhar com a vontade de vê-los.
Sim, tenho certeza. A despeito da ação predatória e deletéria dos humanos,
os passarinhos continuam a existir e a habitar a Ilha de Paquetá.
Que isso não sirva de aviso ou alerta aos caçadores que
os exibem com orgulho e interesse comercial em suas gaiolas!

Sanhaço devorando a goiaba
E então, senti-me em condições de contradizer aqueles críticos de Paquetá.
Matar a cobra e mostrar o pau.
Quantos e quantos sanhaços e sabiás eu assisti pulando de galho em galho
buscando melhores condições de bicar as goiabas até que elas mostrassem
seu âmago róseo forte e caíssem como em bombardeio às formigas.
Em observando a goiabeira, em uma dispersão do olhar,
percebi um passarinho amarelo. Era um canário da terra dirigindo-se a um
poste de concreto justo à proa do ‘encouraçado’ encalhado.
Não acreditei no que via a olho nu e recorri ao meu binóculo,
antes de marinheiro, hoje de ‘voyeur’ da natureza. Um casal de canários da terra descobrira
e encontrara um meio de residir justo em um orifício natural do poste.
Eram também eles moradores da Ilha!
Não demorou para que um beija-flor ou chupar-flor como preferem outros,
desse mostras de sua existência e habilidades de seu vôo particular
vindo a pousar em um fio próximo. Consta que seja o único
pássaro incapaz de pousar no chão.

Viuvinha banhando-se ao sol no gramado da piscina

Estranho ninho do canário da terra

Colibri ou beija-flor no fio
Autor do texto: Ney Dantas

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